Fotografo do dia: Brian Haider
Dessa vez ao invés de construir um texto com minhas impressões sobre o fotógrafo do dia, resolvi fazer uma entrevista para o que o próprio se apresente a vocês. Dessa forma o inventivo Brian Haider (que sim, é brasileiro) chega até aqui e mostra um pouco do que pensa.
F: Qual a sua memória mais antiga da fotografia? Lembra-se de quando pegou numa câmera pela primeira vez?
B: Minha memória mais remota é de um retrato da minha amada e maravilhosa mãe Adriana Zselinszky fotografada pelo meu pai Gilberto Haider. Não lembro bem de quando peguei pela 1° vez numa câmera, mas desde muito pequeno ficava nos estúdios, gráficas e sets de shooting com meus pais, isso me ajudou muito, pois quando quis de fato aprender fotografia, já estava muito familiarizado com os equipamentos e ambientes.
F: Porquê você acha que escolheu a fotografia? Sempre foi algo claro para você?
B: Acho que pela vontade de mostrar o que sinto em relação a tudo, consigo de uma forma direta e única mostrar meus sentimentos mais profundos ou superficiais.
F: Em termos visuais suas imagens possuem muitos elementos suaves, mesmo quando são agressivas, as cores usadas, combinações de tons são quase como um embaralhamento de matizes. Se espelhou em alguém para atingir esse resultado?
B: Sim, sempre me inspirei muito nas imagens e no voyeurismo de meu pai e do lendário Helmut Newton, na sobriedade impecável de David Sims, na POP ART e na vividez de Chapelle (por causa dele decidi começar a fotografar moda, após passar a tarde inteira numa livraria, hipnotizado com o livro Hotel LaChapelle), também acompanho e sou fã de Miles Aldridge, Steven Klein, Mert/Marcus, Miky Yamamoto, Rankin, Irwin Penn…
F: O que pretende atingir com seu trabalho e acha que é direcionado para algum público?
B: Talvez queira atingir algo como o amor, a revolta, mas acho que a minha imaginação é que me conduz a isso. Posso dizer que entro em um tipo de transe quando estou fazendo fotos. Na verdade não, nunca pensei em um certo tipo de público, mas se destina a todos curiosos e a quem goste do meu trabalho.
F: Por que moda?
B: Não sei, talvez por ter nascido vendo esse meio, gosto da fotografia, do grão dos filmes, das cores, tipos de tinta, histórias dos modelos. Todo o processo fotográfico me encanta e me faz querer fazer mais fotos e a expressar tudo que vi, desde o shooting ao dia que o cliente me liga feliz demais porque amou seu trabalho.
F: O vídeo parece ser a bola da vez, alguns fotógrafos chegam a dizer que futuramente você não irá mais fotografar e sim gravar para depois retirar os frames interessantes. Como encara isso?
B: Acho ridículo, quem disse isso de fato não é, nem será fotógrafo…realmente frames de vídeos podem ser capturados pelas novas câmeras, mas jamais serão fotografias, longe disso, são apenas frames de uma foto maior, que foi pensada e capturada pelo artista como vídeo, serão sempre fragmentos de algo, mas nem por isso deixo de gostar e admirar vídeos. Me encantam pela criatividade e pelos elementos que nos conduzem, mas uma fotografia que te segura, te faz parar e ficar olhando a mesma imagem talvez te leve aos sonhos e a seus pensamentos mais densos e importantes.
F: Qual foi o aspecto mais difícil para conseguir realmente entrar no mercado de moda e ter seu trabalho valorizado?
B: Acho que minha maior dificuldade foi aprender a vender aos meus clientes minha linguagem estranha e difícil de explicar para o meio comercial, meio trashy, meio sexy, com movimentos, ângulos distorcidos. Resolvi isso com muita teimosia e por acreditar muito no que sinto. Hoje posso dizer que graças a isso tudo, sou bem mais respeitado e valorizado. Essa semana me senti honrado de fotografar pela 1° vez para a minha estilista favorita: Gloria Coelho. No ensaio ela pediu fotos com movimento e (cores) vivas o que me deixou muito orgulhoso a respeito do venho fazendo.







